PMA

SEGREDO SEKRETO

 

SEGREDO

Menin, Sem-Noção, Dorvalino

três
inseparáveis amigos?


dois, o outro apenas apelido?

A
pergunta mesma é Sem-Noção.

Dorvalino
– dor e orvalho –

preferia
a madrugada e a orgia

ao
trabalho – alguém mais?

Menin
– o menino que pintava o acontecer –

se
perguntava, agora rapaz,

“o
que vou ser, o que vou ser?”

“Menin,
você já é! Você já é!”

O
Sem Noção ao amigo devolvia a paz:

“Quem
de nós é apelido, cognome?”

Dorvalino
num poema respondia:

“Não
sei se sou eu – mas, me consome

o
envelhecer, essa dor tardia.”

Na
senectude não pensa a juventude,

agora
chegado, o envelhecer ardia

envelhecer
– a ele não se alude

mas,
traz consigo algum medo.

“Tio
Velho, como é fazer 100 anos?

qual
o segredo, qual o segredo?”

Respondia
sem embaraço: 

Não sei! É
a primeira vez que faço.

Vai
vivendo, vivendo e não pensa.”

“Medo
do ataúde? Não! Fiz o que pude!”

“Convocarei
uma coletiva de imprensa,

revelarei
do centenário o meu segredo”.

E
ante câmeras e microfones revelou sem medo:

“Muito simples, meu jovem! É só não morrer cedo!”

E
acrescentou, o bom humor elegante:

“É
só não morrer antes!”

E
cravou matreiro:

“Celebre
Sua Excelência o coveiro,

mas,
siga vivendo o seu segredo

(que
não se revela a ninguém)

“Como
viver, passar dos 100?”


“É só não morrer cedo!

É
só não morrer cedo!

E
como passarinho

beliscou
sua taça de vinho!


Notas do Autor: Protagonistas de meus livros: 

1. Menin (Menin: o menino que pintava o acontecer. Curitiba-PR: Ordem Rosacruz – AMORC, 1992)

2. Dorvalino Mendes (Percurso às avessas: Dorvalino semimorre. Guaratinguetá-SP: Penalux, 2021)

3. Sem Noção (Rabiscos poéticos de um sem-noção: o avesso do percurso. Brasília-DF: L&C Editorial, 2024).

* * *

SEKRETO

Menin, Sen-Nocio, Dorvalino, 

ĉu tri neaparteblaj amikoj?

ĉu du, la alia estas nur alnomo?

La demando mem estas Sen-Nocio.

Dorvalino – dolor’ kaj roso –

preferis frumatenojn kaj orgion

al la laboro – ĉu iu plu?

Menin: la knabo kiu pentris l’ okazantaĵon –

sin demandis, nun junul’,

“kio estos mi, kio estos mi?”

“Menin, jam vi estas! Jam vi estas!”

Sen-Nocio al l’ amiko redonis
la pacon:

“Kiu el ni estas alnomo, krom-nomo?”

Dorvalino respondis per poemo:

“Ĉu mi, mi ne scias – sed, min konsumas

la maljuniĝo, malfrua doloro.”

Pri maljunaĝo ne pensas gejunuloj,

nun alveninta, maljuneco
ardis

maljuniĝo – al ĝi neniu aludas

sed, tio portas certan timon.

“Onklo Oldulo, kiel ŝajnas 100-jariĝi?

kiu la sekreto, kiu la sekreto?”

Sen-tiklece li respondis: “Mi ne scias!

Unuafoje nun mi 100-jariĝas.

Nur vivu, nur vivu, ne tro pensu.”

“Ĉu ĉerkon pritimi?” “Ne! Mi faris la plej bonon!”

“Mi kunvokos kolektivan
intervjuon,

Rivelos pri l’ 100-jariĝo mian sekreton”.

Antaŭ kameraoj kaj mikrofonoj
sentime diris:

“Tre simple, kara
junul’! 
Sufiĉas ne frue
morti!”

Kaj aldonis elegante bon-humora:

“Sufiĉas ne frue
morti!”

Kaj ruze aldonis:

“Celebru Sian Moŝton la tombiston,

sed, daŭre vivu la sekreton

(al neniu rivelinda)

“Kiel vivi pli ol 100-jariĝo?”

– “Sufiĉas ne frue morti!”


Notoj de la Aŭtoro: Protagonistoj de miaj libroj: 

1. Menin (Menin: o menino que pintava o acontecer. Curitiba-PR: Ordem Rosacruz – AMORC, 1992)

2. Dorvalino Mendes (Percurso às avessas: Dorvalino semimorre. Guaratinguetá-SP: Penalux, 2021)

3. Sem Noção (Rabiscos poéticos de um sem-noção: o avesso do percursoBrasília-DF: L&C Editorial, 2024).


Deixe uma resposta