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IMPRUDÊNCIA MALPRUDENTO

 

IMPRUDÊNCIA

(Ao compositor Belchior, in memoriam)

Tão
ensimesmado tão ensimesmado

deu
por si, o caminhão.

Acabou
na contramão atropelado

por
auto não identificado.

Sumiu
nas asas da escuridão

no
pedido de socorro

o
mote ali a seu lado:

Ano
passado eu morri,

mas
este ano eu não morro!

 

O
coração em festa, admitiu estar errado:

A
resposta mais honesta

Mora
na luz da alma

Vem
num sussurro vem calma

Água
descendo o morro

Se
aninha em qualquer fresta:

Estou
bem pra cachorro

Ano
passado eu morri,

Mas
este ano eu não morro!

 

Se
a pele é palha seca

Nela
ponho o fumo de rolo

Acendo
pito vem pitar aqui mais eu

Tira
a roupa (me compreendeu)

A
companheira me atende

Reacende
o pito na fogueira

A
preguiça pronto escorro:

Ano
passado eu morri,

Mas
este ano não morro!

 

MALPRUDENTO

(Al komponisto Belchior, in memoriam)

Tiom enmemiĝema tiom enmemiĝema

kaj subite, kamiono.

Finiĝis kontraŭdirekte trafita

de aŭto ne identigita.

Foepereis flugila de la mallumo

en la helpopeto

liaflanke la moto:

Pasinta jaro mi mortis,

sed ĉi-jare mi ne mortos!

 

Festema la koro konsentis pri l’ trompiĝo:

Respondo la plej honesta

loĝas lume de l’ animo

susure venas kviete venas

akvo la monton descendas

nestiĝas en ajna fendo:

Pasinte jaro mi mortis,

sed ĉi-jare ne mortos!

 

Se la haŭto iĝas seka pajlo

Sur ĝi la fumon mi metas

bruligas pipon venu fumi ĉe mi

senvestiĝas ŝi (min komprenis)

amatino min atencas

Rebruligas la pipon em la fajro

Mi la pigron tuj elfluas:

Pasinte jaro mi mortis,

sed ĉi-jare ne mortos!

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