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FORÇA, AMIGO GERI!

 

FORÇA, AMIGO GERI!

Também estive doente e internado
em hospital. Foi em 1998 e quase fui embora deste Planeta. Fiquei muito fraco,
não queria nem beber água. Comida então nem pensar. Nada descia. Se insistisse,
nada parava no estômago. Milagre aconteceu e recuperei o bem mais precioso, a
Vida, a minha vida. Só fui ao hospital te visitar uma vez. De volta ao Rio, sua
irmã é que foi várias vezes e me dava notícias. Preferi vir pro Rio e ficar com
minha irmã. Cada pequena melhora sua me alegrava muito.

Quando estava internado, o tempo
não parecia passar, as horas se arrastavam no relógio. Cada vez que via meu
rosto magro no espelho, um susto. Onde estava o brilho dos olhos e o ânimo de
viver? Em 1998 meu primeiro neto estava para nascer. Hoje já é adulto. Cheio de
medo não resistir àquele sofrimento todo, passei a me agarrar na esperança de
ver meu neto, que iria chegar, como chegou, em novembro. Mas, no hospital, a
mesma paisagem monótona de sempre. Eu pensava: “Que graça tem eu ir embora do
Planeta agora, sem nem conhecer o meu neto!” Isso me fez reagir. Era a força
que me faltava e comecei a reagir! Voltei a me alimentar, fazer as necessidades
naturais sem auxílio de sondas, a respirar por mim mesmo. Comecei a melhorar
rapidamente. Só queria sair dali e me recuperar em casa. Queria ficar bom e me
preparar para conhecer meu primeiro neto. Ao nascer, o olhar do Gustavinho era
minha força diária.

Hoje ainda procuro o sentido de
estar vivo, mas meus netos têm uma importância que nem mesmo eles sabem. Mas,
eu sei. No meu caso, em nenhuma filosofia, me nenhuma religião, ideologia
nenhuma me dá respostas completas para o tal sentido da vida. Hoje, só sei que
o melhor é continuar vivo, passear, viajar, conhecer o mundo e ver a alegria
que a minha recuperação causou naquelas pessoas que me amam. Saber o sentido da
vida, pode ficar pra depois. O que eu quero mesmo é viver. Viver junto às
pessoas amadas, sem filosofias, religiões, ideologias. O sentido da vida ficou
mais simples agora – é só viver, estar vivo ao lado de quem nos ama. Pra quê
mais? Desfrutar a Vida, sem passado, sem pensar no futuro. A Vida em si já é meu
melhor presente!

Força, meu caro! Como canta o Gonzaguinha:
“Viver, ê, ô, ê, ô e não ter a vergonha de ser feliz/ cantar e cantar e
cantar a beleza de ser um eterno aprendiz!”

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